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O olhar por trás da fotografia: uma conversa com Daniel Nascimento

Foto do escritor: Gabriel  Malagrino
Gabriel Malagrino
3 de set.
3 min de leitura

Fotografar vai muito além de apertar o botão da câmera. Antes do clique, existe o olhar, a sensibilidade, a intenção e a capacidade de interpretar aquilo que está diante da lente.

Para o fotógrafo Daniel Nascimento, a fotografia nasce justamente dessa relação entre técnica, contexto e percepção. Seja na fotografia autoral, no fotojornalismo, em retratos ou em trabalhos publicitários, cada imagem carrega escolhas que vão muito além da estética.


Nesta conversa, Daniel fala sobre o que existe por trás de uma fotografia, os desafios de fotografar pessoas, a relação entre imagem e narrativa e o que faz uma foto permanecer na memória.


O que você precisa enxergar antes de conseguir fotografar?

Depende muito do contexto. Quando vamos fazer uma fotografia autoral, por exemplo, não enxergamos apenas com a lente da câmera, mas com tudo que está ao redor. Seja em uma foto de paisagem, fotojornalismo ou fotografia de rua, procuro enxergar com a sensibilidade do momento, considerando humor, cultura e tudo aquilo que molda a visão antes de um clique.


O que faz uma fotografia deixar de ser apenas uma imagem bonita e passar a contar uma história?

Depende da intenção colocada através da imagem. Nem toda fotografia necessariamente conta uma história, e nem toda história passada através da fotografia tem uma imagem bonita.

Dentro do fotojornalismo, por exemplo, podemos contar — ou deixar de contar — uma história através de uma foto, assim como podemos contar diversas outras histórias dentro de um mesmo evento.


Muitas vezes, fotografar também é criar uma relação com quem está diante da câmera. Qual é a maior dificuldade em fotografar pessoas, especialmente quando elas não estão acostumadas a serem fotografadas?

Por incrível que pareça, a maior dificuldade está na direção, justamente em colocar o assunto dentro de um contexto.


Geralmente, em determinados nichos, como fotografia de família, o ideal é captar a essência e usar essa naturalidade como direcionamento. Já em fotografias posadas, como é o caso dos retratos, é preciso conhecer bem composição, iluminação e a intenção da foto para que o direcionamento seja feito de uma forma assertiva.

Porém, nem todo fotógrafo faz direção.


Seu olhar muda quando você fotografa para a imprensa, para uma campanha publicitária ou quando fotografa para você?

O olhar não muda. Você continua utilizando todas as técnicas necessárias e ainda exprime muito da sua trajetória, mas vira coadjuvante em um trabalho que não começa e nem termina nas mãos do fotógrafo.


Esse tipo de fotografia é feito por diversas mãos. O processo começa com estratégias de marketing e passa pelas mãos de criativos, produção, fotografia e pós-produção.


O que é mais difícil fotografar: pessoas, objetos ou lugares? E o que você mais gosta de fotografar?

Creio que cada um tem seu grau de dificuldade e eu, como generalista que sou, sou suspeito para escolher um nicho de preferência. (risos)


O que faz uma imagem vender uma ideia, um produto ou uma marca?

Um conjunto de objetivos, processos e metas. Para que uma fotografia venda uma marca ou um produto, todos precisam estar alinhados em diversas áreas para que o objetivo seja alcançado.


Não existe uma receita para isso.


Quanto uma boa fotografia pode mudar a forma como uma história é recebida pela imprensa e pelo público?

Aprendemos a ler e contar através de imagens. O uso da ótica traz com ela a semiótica.


Creio que toda imagem tem um significado para alguém e, com ela, podemos também ressignificar muita coisa.


Uma foto é feita em milésimos de segundo. Cabe à nossa mente interpretá-la e ao fotógrafo entregar a subjetividade. A magia da foto está na sua pausa e interpretação.


O que faz uma fotografia permanecer na memória, mesmo depois de termos visto milhares de outras imagens?

A imaginação. A nossa mente sempre tentará completar e dar sequência a um frame perdido.


Creio que, enquanto houver fotografia, enquanto o tempo for generoso em guardar aquele material feito dentro de uma fração de seu ser, a foto continuará sendo presente, importante e primordial para quem a vê.


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